O mito nasceu antes da palavra e sobreviveu a todas as palavras. Nasceu do medo, da fome e da solidão. Era preciso dar nome ao que machucava e também ao que salvava. E, assim, o homem inventou histórias maiores que ele mesmo. Desde o princípio, o mito serviu como escudo e como ponte. Protegia da escuridão, do trovão e da morte. Explicava a chuva, a doença, o amor e o ódio. Cada povo construiu seus próprios heróis, monstros e deuses. Não para enfeitar a vida, mas para suportá-la. O mito foi, durante muito tempo, a única ciência possível. Antes das leis escritas, antes dos livros, antes da história como disciplina, era o mito que ensinava o que se devia temer, respeitar e profundamente, desejar.
Tudo o que se sabia sobre o mundo vinha da boca dos velhos contadores de histórias. E não era só a ignorância que fazia do mito um alimento necessário. Era a própria estrutura da vida, com suas incertezas e dores, que exigia respostas maiores do que as que os olhos podiam ver. Com o tempo, os mitos se tornaram parte do sangue. Passaram a moldar comportamentos, crenças, guerras, alianças. A religião, a política, a moral — tudo se construiu sobre os alicerces invisíveis que os mitos ergueram. Eles seguiram vivos sob novas formas. Quando surgiram os impérios e as cidades, os mitos foram coroados junto com os reis e cravados nas pedras dos templos.
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