Havia, nas prateleiras modestas das escolas públicas, nos cantos empoeirados das bibliotecas domésticas, e até nas mochilas surradas de meninos que trocavam balas por capítulos, uma coleção de livrinhos que pareciam feitos de ar, mas eram de pura substância: a Série Vaga-Lume. Lançada em 1972 pela editora Ática — aquela que sabia, como poucas, que o barato pode ser nobre, desde que carregue dentro de si um fogo verdadeiro —, essa coleção não apenas ensinou a ler, mas ensinou a sonhar. E sonhar, naqueles tempos de ditadura e silêncios forçados, era um ato quase revolucionário.
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