Entre as muitas narrativas que compõem o vasto universo literário de Rubens Francisco Lucchetti, poucas carregam tanta ternura e nostalgia quanto "O Fantasma do Tio William". Concebida originalmente na década de 1940 como folhetim — contada pelo jovem autor à beira do leito de sua irmã enferma, cuja morte se aproximava —, a história transcendeu sua função inicial de consolo para tornar-se um clássico da literatura popular brasileira, atravessando gerações em múltiplas formas: radionovela nos anos 1950, romance de bolso em 1974 pela editora Cedibra, e edições juvenis pelas editoras Melhoramentos (1983) e Ática (1992), esta última integrante da lendária Coleção Vaga-Lume. Mais do que um conto sobrenatural, o livro é um relicário afetivo. Lucchetti imbuíu a trama de suas memórias mais íntimas da São Paulo dos anos 1930 e 1940, especialmente da Lapa e do bairro de Pirituba, onde funcionários ingleses da São Paulo Railway erguiam mansões com ares de campo britânico e jogavam críquete aos domingos.

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